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Nave potente em guerra
Nave potente em guerra
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 A Guerra dos Mundos, o livro
  Paula Balsinelli
 
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Participe da promoção e concorra a um DVD do filme, mas antes conheça a história que inspirou o filme:

No dia 30 de outubro de 1938 deu no rádio que os Marcianos estavam invadindo a Terra. Relatos inflamados davam conta de que Nova Jersey agonizava frente aos ataques de seres de outro mundo. A notícia aterrorizou os moradores da Costa Leste dos Estados Unidos, quem ouviu entrou em pânico, o medo se espalhou rapidamente pelas cidades vizinhas.

Pessoas desesperadas tentavam deixar a cidade, as linhas telefônicas caíram sobrecarregadas, a fuga desesperada resultava num trânsito caótico e paralisado. Pudera, o que você faria se ouvisse tal notícia no plantão da Globo?

Contextualizado, o rádio era o principal meio de comunicação da época, a CBS Columbia Broadcasting System, responsável pela transmissão da catástrofe, tinha bom nome e muita credibilidade, dessa forma, há de se concluir que o “negócio” era sério, certo? Bem, mais ou menos, na verdade foi tudo um mal entendido.

Quem ligou o rádio depois da introdução do programa perdeu a parte mais importante da história, era tudo ficção, um programa de radioteatro em formatos de  cobertura jornalística liderado pelo ator e diretor Orson Welles, que contou com a participação de diversos atores nos papeis de autoridades, médicos, policiais, etc.


Ouça trecho da
transmissão original de
Guerra dos Mundos no rádio



O evento ficou conhecido como “Rádio Pânico”, a história foi adaptada do livro “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells. Aliás, o livro de Wells (não confunda com Welles) , publicado em 1895, foi proibido na época da publicação por ser considerado perigoso, diziam que poderia causar fobias nos leitores. E não duvide disso, “A Guerra dos Mundos” é uma preciosidade da ficção científica. Mais ainda, H. G. Wells, é considerado por muitos historiadores da literatura como um dos criadores do gênero. Ele foi, sem dúvida, um dos escritores britânicos mais lidos de sua geração.

Wells é considerado um visionário, imagine que em 1898, data da publicação de “Guerra dos Mundos” (mais de 100 anos atrás), não havia avião nem raio laser, além disso, os estudos a respeito de outros planetas eram modestos, basta lembrar que o homem pisou na Lua pela primeira vez em 1969.

Pois bem, H. G. Wells supera as limitantes condições de seu tempo e faz um relato de invasão digno dos dias atuais. Ele fala de raios de calor ultra-rápidos, naves redondas e achatadas, viagens interplanetárias, telepatia,  entre outros.

Como explicar estes “dons proféticos”? Vai saber. Com base apenas na sua imaginação, em meio a cavalos e charretes, Herbert George Wells acertou em cheio em muitas de suas “viagens” e deu o tom a nossa ficção científica atual.

Atendo-se um pouco mais à obra, o leitor cuidadoso vai perceber que a guerra entre as espécies nada mais é do que um eletrizante pano de fundo para uma pesadíssima crítica social. Alguns críticos teorizam que a invasão dos marcianos representaria, de certa forma, a crueldade do colonialismo. Questões diversas atiçam a reflexão, como o racismo, o desenvolvimento da natureza humana, além de questões morais e filosóficas. Confira alguns trechos:

“Não comiam, muito menos digeriam. Em vez disso, extraíam o sangue fresco de outras criaturas vivas e o injetavam em suas próprias veias ... A simples idéia é, sem duvida, terrivelmente repulsiva para nós, mas ao mesmo tempo penso que devemos imaginar o quanto nossos hábitos carnívoros pareceriam repulsivos a um coelho inteligente”

“O homem é tão frívolo e tão ofuscado por sua vaidade que, até mesmo no final do século XIX, nenhum escritor tinha expressado a idéia de que lá a vida inteligente, se havia uma, poderia ter-se desenvolvido muito além dos níveis humanos”

“Experimentei uma vaga sensação de algo que daí pra frente se tornou muito claro em meu espírito, que me oprimiu por vários dias, uma sensação de destronamento, a convicção de que eu já não era o amo, mas sim um animal entre os animais sob o tacão marciano – o terror e o império do homem tinham acabado”

“Quando muito, os terrestres imaginavam que podia haver outros homens em Marte, talvez inferiores a eles próprios e prontos a dar as boas-vindas a um empreendimento missionário.”

Se você ficou instigado e com vontade de ler mais, tome fôlego para vasculhar livrarias e sebos, o livro “Guerra dos Mundos”, publicado no Brasil pela editora Alexandria, está esgotado, e, segundo informa a assessoria de imprensa, até o fechamento desta matéria, não existia intenção de ser relançado. Pena.

A guerra nos cinemas

Steven Spielberg quer transpor do livro para os telões a mesma sensação eletrizante que existe na obra “Guerra dos Mundos”, uma mistura de terror e encanto com o desconhecido. Spielberg é fantástico, mas vai ser quase impossível causar o impacto que Wells conseguir na data da publicação da obra, ou o medo que Orson Welles plantou no coração de cada ouvinte.

Será que Spielberg levantará questões tão profundas quanto Wells? Tomara que sim. E Tom Cruise,  o mocinho vai sentir medo o bastante para deixar todo mundo incomodado na cadeira? Esperamos que a sua atuação seja mais comentada do que o namoro com Katie Holmes. Expectativas à parte, é brilhante a idéia de reviver um clássico como este, a escolha foi certeira, vale a pena pagar pra ver. Aliás, “Guerra dos Mundos” já foi adaptado para o cinema em 1953, dirigida por Byron Haskin. A versão de Spielberg estréia mundialmente em 29 de junho.

Leia mais sobre o filme no Omelete

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