"O bullying é um conjunto de atitudes agressivas intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, de forma velada ou explícita, adotado por um ou mais indivíduos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento".
A educadora Cleo Fante, autora do livro “Fenômeno Bullying” (Editora Verus), desenvolveu intensas pesquisas sobre o tema. Numa conversa com o iG Educação, ela fala de questões intrigantes sobre o assunto. Você pode imprimir e mostrar para o professor ou diretor da sua escola. Confira!
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Por que alguns jovens sentem prazer em maltratar o outro? Cleo - Tudo depende da história armazenada nos arquivos de memória de cada um, resultado das primeiras interações emocionais na dinâmica familiar. Caso tenha sido exposta constantemente a situações de maus-tratos e humilhações, a criança desenvolve tendência inconsciente de reproduzir o modelo contra outras crianças, como forma de auto-afirmação e auto-expressão, na tentativa natural de obtenção de auto-satisfação e auto-realização na vida. Dessa forma, sente inconscientemente um certo prazer em maltratar e fazer com que outros sofram.
Qual é a responsabilidade do professor numa situação de Bullying? O que ele deve fazer para detectar e possivelmente resolver o problema? Cleo - É muito difícil atribuir responsabilidades ao professor, quando a maioria deles desconhece o bullying e suas conseqüências. Portanto, o primeiro passo seria capacitá-los a perceberem, identificarem e intervirem na prevenção desse mal que se alastra em nossas escolas. Quando conscientizados e treinados, os professores podem muito na erradicação desse fenômeno e na construção de um ambiente de paz nas escolas. Os alunos passivos, que não delatam os agressores, também são responsáveis? Cleo - Esses alunos passivos, são denominados “espectadores”, que é a maioria dos alunos. Não delatam seus companheiros porque temem se transformarem na “próxima vítima”. É comum imperar a “lei do silêncio” em casos de bullying. Quando esses espectadores participam dos ataques ao “bode expiatório”, ou incentivam outros a participarem, são tão responsáveis pelo sofrimento causado quanto os “agressores”.
O ideal é que as escolas desenvolvam a consciência sobre a educação para a paz, a fim de que qualquer aluno que se sinta constrangido por qualquer razão, tenha plena liberdade de expressar-se na certeza de que algo será feito para minimizar seu constrangimento. Deve-se estimular o respeito ás diferenças individuais e a convivência pacífica.
O que uma pessoa que sofre o Bullying deve fazer? Cleo - Deve conversar com os pais, professores ou coordenação escolar, sobre as vivências desagradáveis que tem sofrido na escola ou em qualquer outro ambiente, precisando para isso que seja ouvida, valorizada e atendida em relação a sua demanda, do contrário sua tendência será a de manter-se calada, apresentando comportamentos de evitação em relação à escola e ao seu aprendizado.
Se o filho conta dos acontecimentos na escova, o pai tende a achá-lo "fraco"? Cleo - Não deveria ser esta a atitude de um pai ou mãe, mas pode acontecer. O ideal é que compreendamos que as crianças ainda estão no processo básico de formação da personalidade, não estando ainda habilitadas para lidarem com todos os tipos de situações da vida. Por isso, deve-se evitar repreender, castigar, ou reagir com agressividade quando a criança expõe suas dificuldades e “fraquezas”. Neste caso ela precisa de acolhimento, carinho, apoio e compreensão, além de ações junto à escola na tentativa de que providências sejam tomadas para evitar a sua vitimização.
Como saber mais sobre o Bullying e sobre o seu programa de Educação Para a Paz? Cleo - Consulte o nosso site www.bullying.pro.br/ ou entre em contato pelo e-mail : cleofante@hotmail.com para qualquer consulta. Também recomendo a leitura do livro “Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz” (Editora Verus). Além disso, oferecemos cursos de “Formação de Multiplicadores no Programa Educar para a Paz” e “Pós-graduação “Lato Sensu” em Fenômeno Bullying”, além de assessoria e palestras.
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