São quase cem anos de história – precisamente 94, a serem completados em setembro. O Teatro Municipal de São Paulo é uma das mais famosas atrações turísticas da capital paulista.
E conhecer o teatro não vai pesar no seu bolso. Além das apresentações da Orquestra Sinfônica de São Paulo, cujos preços em geral são do tamanho das mesadas, também é possível conhecer o local sem assistir a nenhum espetáculo. Há visitas monitoradas todas as terças e quintas, que podem ser agendadas pelo telefone (11) 223 3715. Assim como o Museu do Municipal e o Salão dos Arcos (que atualmente traz a exposição “Traje e Cena”, com figurinos de espetáculos apresentados no teatro), as visitas também são gratuitas.
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Motivos são o que não falta para ir ao teatro. A começar pelo saguão, repleto de esculturas e objetos decorativos vindos diretamente do outro lado do Atlântico. “Os responsáveis pela construção fizeram diversas viagens à Europa, para comprar o que havia de melhor”, afirma a arquiteta Denise Alcântara, da equipe de conservação do Municipal.
Isso explica a presença de esculturas em mármore provenientes de Florença, mosaicos vindos diretamente de Veneza e tocheiras de bronze originárias de Paris. Produzidos no Brasil, só os vitrais (“e mesmo assim com tecnologia alemã”, ressalta Denise) e as portas de jacarandá, feitas pelo Liceu de Artes e Ofícios.
Vale a pena prestar atenção nas pinturas de Oscar Pereira da Silva, presentes do teto do Salão Nobre, talvez o mais bonito aposento do Municipal. Outros destaques são os dois mosaicos italianos que podem ser vistos das escadarias e representam cenas de óperas de Richard Wagner e a escultura “Diana”, de autoria de Victor Brecheret, localizada logo ao lado do saguão principal.
Na sala de espetáculos, um dos destaques é o órgão italiano localizado nas laterais do palco, instalado quando da primeira grande reforma do Municipal, finalizada em 1951. Ele está dividido em duas partes (uma de cada lado do palco) e, para colocá-lo no lugar, foi preciso derrubar os antigos camarotes das autoridades - os novos agora ficam no fundo.
A sala tem seis pavimentos. Os parapeitos dos balcões são revestidos com folhas de ouro e aplicação de cristais Murano em forma de pequenas flores. Na cúpula, há uma pintura (também de autoria de Oscar Pereira Dias) que registra as fases sucessivas da vida do homem, e um lustre de mais de 6 mil peças em cristal.
Na segunda grande reforma, que terminou em 1988, a cor das cadeiras mudou: eram vermelhas, ficaram verdes. “Havia indícios de que, na época da inauguração, as poltronas não eram vermelhas”, diz Denise Alcântara. “Com a reforma, encontramos algumas cadeiras antigas atrás do órgão e descobrimos que o verde era realmente a cor original”, explica a arquiteta.
A reforma de 1988 foi responsável por outra novidade: a abertura do Salão dos Arcos. O espaço, atualmente usado para abrigar exposições, era originalmente o porão no Municipal. “A presença de porões era obrigatória segundo a lei da época, para impedir infiltrações de água nos edifícios”, conta Denise.
História do Teatro
O Teatro Municipal de São Paulo foi inaugurado em 12 de setembro de 1911, com a ópera “Hamlet”, de Ambroise Thomas. Sua construção, a cargo do escritório de Ramos de Azevedo, contou com a colaboração dos arquitetos italianos Cláudio e Domiziano Rossi. O local foi palco de alguns dos mais importantes movimentos artísticos do século, como a Semana de Arte Moderna de 1922.
As obras começaram oito anos antes da inauguração, em 1903. O objetivo era dar a São Paulo um dos melhores palcos do mundo, principalmente para apresentar grandes óperas. Seguindo o exemplo das edificações feitas no Brasil na época, a maior parte dos elementos usados na construção foi importada da Europa. O estilo é eclético.
Para a inauguração, a idéia inicial era apresentar uma ópera brasileira. Mas a companhia contratada para a ocasião – comandada pelo barítono italiano Titta Ruffo, o mais popular do mundo na época - não contava com nenhuma obra nacional em seu repertório. O jeito foi apresentar apenas a abertura de “O Guarani”, de Carlos Gomes, antes de ópera “Hamlet”, de Ambroise Thomas.
Os problemas não pararam por aí. Os cenários do espetáculo não chegaram ao Brasil a tempo e, por isso, a estréia teve que ser adiada em um dia. Na nova data, mais um atraso – dessa vez, a culpa foi do excesso de automóveis e carros puxados por cavalos, que causaram um dos primeiros congestionamentos de São Paulo. Resultado: o último ato da ópera não chegou a ser apresentado.
Em 1981, o Municipal foi tombado pelo Condephat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico) e em 1988, ano em que completou 75 anos, passou por ampla reforma. Sua estrutura foi atualizada, os camarins reformados e o palco recebeu modernos equipamentos de luz e som. O salão dos arcos, localizado no porão, também foi reformado e aberto para visitação.
Em seus quase cem anos de história, o local recebeu alguns dos maiores nomes da história da música, como as sopranos Maria Callas e Renata Tebaldi e o tenor Enrico Caruso. Na dança, já se apresentaram em seu palco nomes como Isadora Duncan, Anna Pavlova, Margot Fonteyn, Vaslav Nijinski, Mikhail Barishnikov e Rudolf Nureyev.
Atualmente, a maior parte da programação do Teatro Municipal é apresentada pelos corpos estáveis formados pela Orquestra Sinfônica Municipal, Orquestra Experimental de Repertório, Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, Coral Lírico, Coral Paulistano e Balé da Cidade de São Paulo.
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Teatro Municipal de São Paulo
Praça Ramos de Azevedo, s/n, Centro
Telefone: (11) 222 8698
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